Galáxia - Parte 2 - Final


Viu-se na caverna, na autoridade daquele mundo em que se trancafiou para se salvar das catástrofes. O astronauta olhava a Terra brilhar ainda com as chamas, em algumas partes que o mar cobria havia fumaça. Lá de longe o pequeno planeta azul com uma vista privilegiada da beirada da cratera lunar em que ele sentou-se.
A vista lembraria algo como o símbolo yin-yang feito de fogo e fumaça. Em seu diário, descrevia sua décima noite.

Fechava os olhos, lembrava-se do mundo como era. Não tinha saudades e nem se comovia com suas perdas, afinal sabia que as grandes perdas do mundo ocorreram antes do fim do mesmo. Estava ali, sozinho.
Em seu descanso, o astronauta admirava o fim da humanidade. Ouvia os gritos desesperados das pessoas que ainda queimavam. Cenário de horror para alguns que para ele seria simplesmente o limite em que o cosmos suportou.

Aos noventa dias de espera, reuniu suas coisas e regressou ao planeta, o chão estava limpo pela brisa, os mares recuaram após longas ressacas, o fogo que tomara grande parte do contexto histórico, cessou.

Ainda não tocava o solo por medo de radioatividade, levantou voo e partiu para um lugar mais seguro, sobrevoava as planícies, subia aos planaltos e aterrissou no pico de uma montanha, na cordilheira do Himalaia o Everest, que era o maior pico no mundo estava reduzido. Não sabia se a terra subiu ou se o pico afundou, a localização no GPS estava incerta e dali mesmo observou que tudo estava devastado.

Colocou seu primeiro pé para fora do foguete, admirou a paisagem cobrindo com uma das mãos a luz do Sol que ofuscava sua visão. Nunca tinha visto uma imagem tão bonita (nem do espaço), murmurou em seu regresso ao planeta que julgava impuro: “Deus está morto”.


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