Notas de um observador n 54 1/56 (1 e 56 avos)

O mundo estava em colapso, rachaduras desprendiam todo o processo de reconhecimento dos corpos daquele acidente inevitável, caia por terra teses sobre plasma, cotidianos e estudos baseados na sobrevivência do ser humano nos primórdios, diziam que a vida no planeta azul estava ameaçada desde sempre. Apenas respiravam fundo e fugiam dos predadores, cada vez maiores. Por hora, a invenção da arma e dos meios de locomoção traziam segurança e claro, a sapiência dos nossos guerreiros e coletores era o diferencial. Aprendemos a plantar, cultivar e colher. Com o passar dos anos tudo foi aprimorado e a roda nos fez acreditar que num futuro próximo, descer da árvore era a melhor coisa que já nos aconteceu, pisamos no chão gramado, limpo e tratamos de iniciar um procedimento de colonização, experimentamos coisas e testamos nossa própria fé.

Mesmo sabendo que o invisível vento nos era por vezes calmo, trazia consigo a mais tortuosa tempestade, uns morriam nas árvores atingidas por raios outros sobreviviam nas cavernas acreditando que a segurança prevalecia num lugar escuro onde a ninhada (diga-se de passagem) não caia mais do alto dos galhos. Entramos num espiral onde a busca pela segurança da prole seria o alvo fundamental a se seguir, a ideia agora era como manter-se em pleno crescimento demográfico e melhor se dizendo como acolher tudo e todos.

Nos juntamos, pois numa sensação de igualdade pensamos que o mundo seria mais fácil de dividíssemos a culpa (ou trabalho) por ter descido dos locais mais altos. A vida nos obrigou a brigar pela sobrevivência contra os malefícios e o pensar de antemão nos tornou caçadores e assassinos, nesta mesma ordem. Criavam-se mais armas e com toda a dita evolução, nos alimentávamos da caça, assim como nossos predadores e trazendo pelos anais do que hoje chamamos de civilização, caberia apenas juntar-se para somar e proteger nossas fêmeas e filhotes.

Com o intuito de proteger, começamos a pensar também em formas de melhorar as condições de vida. O fogo já era controlado (tragicamente insalubre o nobre caso de que o próprio era uma manifestação divina) cultuaríamos mais tarde, sinais, cruzes, desenhos, deuses.

É claro que arremessando o mundo para os dias de hoje, nada mudou muito, apenas a estrutura e os números demográficos. Entramos num espiral novamente onde o homem criou tudo com a ideia de se assegurar a sua existência e manteve assim as guerras e as armas de destruição em massa. Pela segurança e pela soberania de um povo, numa das mais tristes revelações da história, teríamos um placar nada justo, porém, apenas pensando de um modo mais abstrato, Homem 7,3 bilhões x Tigre Dentes de Sabre 0

Nunca antes vistos até Hiroshima e Nagasaki, o homem então subestimou e se dividiu entre raças e etnias, cada qual com sua peculiaridade e cada qual com seus vírus e bactérias. Uns mais resistentes, outros buscando a cura e a reinvenção da vida contra o pesadelo que é a morte. Testamos armas químicas, realizamos shows culturais, criamos a dança, a caça e a pesca esportiva. Criamos eventos onde demonstramos a força e a inteligência onde alguns se sobressaem e ganha o vil metal por serem os melhores. Num mundo paralelo onde apenas criamos coisas, que se tornam lixo, que se tornam coisas e que se tornam lixo novamente. A coletividade se tornou um difícil fardo a se carregar quando pensamos em centrais de atendimento médico, unidades de pronto atendimento ou até mesmo uma fila de supermercado.

Disputamos para sermos os primeiros e muitas vezes se prega o fato de chegar primeiro. Não vemos mais o próximo com a ideia de tribo, mas com a ideia de rival. Seres humanos pretendem a beleza mais bela, a força mais forte, a técnica mais precisa, a inteligência mais genial, a capacidade de armazenamento e poupar dinheiro. Cabe a nós buscar a cooperatividade na essência. Pensamos e chegamos a mais simples conclusão.


Somos os predadores de nós mesmos.


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