Devaneios Sociais - Folheto 02 - Página 01


Independentemente de onde venham as pessoas e quais sejam os seus costumes, a vida urge como um raiar de Sol entre as frestas das folhagens nas arvores. A empatia está muitas vezes ligada a representatividade de tal ação e vemos que o ser humano ainda reage com raiva aos seus desafetos quando deveria procurar compreender da melhor maneira que qualquer ação varia de sua própria natureza.

Nossos atos estão estritamente ligados à nossa consciência, e, muitas vezes fazer o errado é um conceito moral no qual se sabe das consequências, mas, possui-se a total certeza de que nada acontecerá, como em um jogo de perde e ganha. Quando furam filas, quando veem o troco errado na mão e não devolvem, quando se pega algum doce no mercado sem pagar, entre outros pequenos delitos que são moralmente errados, porém a fragilidade moral de que “o que os olhos não veem o coração não sente”.

A sociedade acaba por se escravizar nestes conceitos nos quais se prendem as leis e estas são implacáveis, mas, os reguladores destas também se baseiam em conceitos morais vindos de sua criação e também se entregam muitas vezes ao que chamamos de voto de confiança ao julgar um crime, entende-se a lei, porém se interpreta arbitrariamente a mesma de forma a pensar em tantas as formas em que a verdade pode ser dita ao longo de tantas as formas que ela coexiste. É olhar a imagem de um número 6 no chão, sempre haverá alguém que julgará aquele número como um 9 e afinal a única pessoa que poderá saciar esta questão de fato, será quem desenhou aquele número no chão.

O grande impacto é na idealização de que a sociedade se baseia na vingança para que as pessoas sejam punidas e não reeducadas, ou, que esta reeducação seja de fato uma punição tão severa quanto a própria morte, e deste modo acabamos por criar nossos próprios lunáticos. Quantas pessoas que foram pegas, presas e reformadas, trazendo um bem para a sociedade ao invés que adentrar de vez ao mundo do crime? A sociedade constrói as leis, as aprova e as segue, assim desta mesma forma institui-se penas de morte e sabemos que os nossos criminosos sempre serão os rostos que representam a marginalidade de uma sociedade. É difícil assumir a culpa, é difícil resolver tudo, mais difícil ainda a meu ver é enviar pessoas todos os dias para o corredor da morte, ou pior, para uma cela onde não haverá nenhuma estrutura onde esta pessoa não apenas pense no que fez, mas que também pense que é possível uma vida fora dali após se redimir dos seus erros.

Um ser humano sempre nascerá puro e será sempre corrompido pela sociedade. Cabe a própria sociedade encontrar formas de educa-lo enquanto é tempo ao invés de encaminha-lo ao corredor da morte de uma forma gradativa. Enquanto dividirmos a sociedade entre quem pode pagar e quem estuda de graça, continuaremos também fazendo com que a desigualdade seja ainda maior e este seja um ponto importante a se perceber que ninguém entra no crime porque quer, penso que se todos tivessem acesso a o que é certo e ao conhecimento, teríamos mais cientistas, artistas e educadores, teríamos menos pastores e muito menos complexos prisionais. O contingente policial seria reduzido e as industrias bélicas não teriam serventia. Quanto mais lutamos contra nós mesmos, mais nos desvalorizamos e mais caminhamos rumo a própria extinção.  

Entre a corda e o nó sempre haverá um inocente.




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