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Carta a Vom - As memórias

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Meu caro Vom, sempre inicio nossas cartas com este prefixo, já que tantas as vezes nos obrigamos a esquecer. O esquecimento parece uma ligeira defesa do nosso cérebro para que não guardemos tantas coisas as quais as vezes não possamos carregar. Como diria um grande amigo em um de seus desconexos textos: - “Te vejo neste contexto desde sua partida, como alguém que viaja e não volta, não tive nenhuma opção a não ser aguentar os mundos nas costas, daquele dia em diante tudo o que eu pude fazer foi suportar e entendo que suportarei até o momento em que passarei este fardo a outra pessoa que terá a minha imagem e semelhança, apesar de tuas loucuras, havia uma bondade infinita dentro deste seu coração, apesar da dureza, havia a compreensão, apenas sua teimosia me matava aos poucos assim como te matou também.” Sinto, meu caro Vom, que daí deste lugar pequenino as coisas são vistas com um certo desleixo, a situação por aqui é precária, ouvi dizer que mais ao oeste pessoas passam fome, não poss...

A Pólis e Apolo - Um manifesto

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Somos fortes, somos individuais e prezamos apenas pela nossa sobrevivência, sobrevivência essa de um conceito falso, já que a maior parte de nós ainda vive com os pais e não tem a necessidade de pagar aluguel e contas básicas como alimentação, transporte e vestimentas. Alguns de nós tem seus empregos, são até bem-sucedidos, mas jamais escapam da sombra dos pais, estes que com o auge dos 40, 50 ou 60 anos ainda provém o sustento de uma família. O dinheiro falta, não temos controle financeiro, não precisamos dele, somos nós que mandamos no nosso dinheiro e compramos o que queremos, gastamos tudo com o que nos convém. Sejam bebidas alcoólicas, roupas de grife, sapatos, tabaco, drogas ilícitas e afins. Muitos de nós possuem pequenos fetiches por coisas ditas de nerd, ou então o termo nerd foi adquirido por alguns de nós que se autodenominam nerds, que fazem parte da cultura nerd, da cultura gamer, da cultura de algo tecnológico. Amamos livros que talvez nunca leiamos, ou somos escritores d...

Drogas, conteúdo sexual e linguagem imprópria

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A casa estava cercada, era noite, quase dia, na linha do horizonte o Sol se erguia entre as plantas mais altas. Fizera frio na madrugada, o que também era um fator de dificuldade para os que estavam ali aguardando a abertura das portas já que um nevoeiro tomava conta dos arredores. O sentimento de solidão unido ao cansaço do trabalho apenas reiterava aquele nevoeiro que insistia em tomar conta da área externa, do telhado e passar também pelas frestas da janela e das portas. Tudo estava gelado e o fogo da lareira sem alimento sobrevivia em uma brasa, pequena, cintilante com um brilho calmo, digno de algo que esteve ali a noite inteira e necessitava-se findar. As poltronas velhas rebatiam o ar frio que entrava pelas frestas e até os animais que por hora se aqueciam em suas posições, estavam procurando uma saída, mas não havia movimento naquele lugar. A névoa permanecia intacta como se fosse uma entidade maior, como se fosse algo consciente. Não havia ninguém em casa, não havia calor, nem...

O Juízo

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Os gritos de socorro que se ouvia ao longe entre os cânions repletos de areia e solidão a lua pairava no ar como se flutuasse entre o túmulo e a grama verde que cobria o cemitério no qual se instalavam os bunkers nos quais muitos se salvavam. Salvação era a ideia primordial antes que qualquer coisa se chocasse com a realidade mórbida dos alienígenas que visitavam constantemente o planeta. Estes tinham uma certa resiliência a aterrissar suas naves e se deparar com a hostilidade que poderia ocorrer em um lugar onde misseis apontavam para os iguais. Era de fato complexo compreender o porque daquela destruição. Por vezes clamavam por soberania e outras vezes clamavam por misericórdia, a questão era o entendimento entre ambos que já não falavam a mesma língua ou até mesmo não se interessavam em compreender o que sentia cada um. O tumulo estava vazio, era apenas uma ideia que a cada pá de terra que se colocava ali se tornava também o fim de qualquer chance de paz. O tumulo significava o fim,...

Hljómalind (trilha sonora)

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 A iluminação sob as velas e os fogos que ela mesma acendeu enquanto acendia também um cigarro antes de sua apresentação, seus olhos vidrados, roupas surradas, dedos esguios e um piano velho. No palco também empoeirado um vento batia por conta da porta do camarim que ficou aberta, na verdade ela não se fechava a anos devido a ferrugem que tomava suas dobradiças e ferrolhos, a necessidade de renovação era imprescindível naquele momento, porém, não se tinha notícias do mundo externo. A humanidade daquele dia em diante não sabia mais como se encontrar e não falamos de abraços e extensos diálogos, falamos de saber a atual situação e esta era um pouco mais complexa pensando do ponto de vista técnico em 59 milhões de anos-luz onde uma estrela ainda brilhava, longe, inalcançável, bela e branca. Era a visão da pianista que olhando por uma fresta do telhado que se rompeu na ultima tempestade, a esperança estava ali, naquela fresta rompida pela água que se transformou em mofo no chão de ca...

O sonho se foi - por Vom

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Meu caro Fiodor, hoje me encontrei no limbo, hoje ao despertar percebi as horas e percebi que o tempo correu rápido demais. Quando notei já tinha passado meu aniversário e assim que levantei percebi que já se foram 3 séculos e 6 décadas. Isso me faz parar para pensar na relatividade. Encontrei um pouco de paz na realidade aumentada das versões Deus x Maquina de uma vida completamente invadida por soldados em missão de paz. Sabemos o quanto é necessário saber que a paz existe, desde que também saibamos como controlar a soberania e pegar em armas se for necessário. Sei que daqui da terra não temos muitas formas e garantias, mas ao mesmo tempo sabemos dos limites dos quais a vida se classifica, se eterniza e se mantém em pleno ciclo. Quanto mais se evolui mais próximo do precipício nos vemos e cada vez que o mundo se aproxima do final. Os seres humanos acreditam em coisas que as vezes parecem tão sórdidas e mentirosas, parecem na verdade bem perdidos, tristes, sem perspectiva. Eles tem ra...

Os anjos

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Hoje fez 1 ano. Aquele copo quebrado que flutua nas marolas de um fluente rio de lodo trouxe uma complicada composição de um fado de esperança e dor. Observar os fractais que estilhaçam a luz em multicores também nos eleva a condição pensante, precisamente, em um cemitério de águas vivas que já não mais fluem ou nadam pela veia d’água. O sono se desfaz, o sonho deu lugar ao desequilíbrio de um pesadelo em que por algumas vezes se fazia no breu. Ao arriscar contato telepático em outros lugares, deu-se espaço ao mais temido dos deuses, Cronos, deus do tempo, aquele que tudo devora. Olhar para trás não é saudável e olhar pra frente não é aconselhável. A tentação de experimentar o presente se torna a única saída e a única forma de se conseguir um melhor olhar sobre as coisas. O vento que determina a velocidade e a direção das bandeirolas, é o mesmo que hoje não sopra mais em seus pulmões. A vida tirou você daqui e o vento levou você pra onde eu não posso ver. Enquanto isso, os corais s...