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Mostrando postagens de 2020

Hljómalind (trilha sonora)

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 A iluminação sob as velas e os fogos que ela mesma acendeu enquanto acendia também um cigarro antes de sua apresentação, seus olhos vidrados, roupas surradas, dedos esguios e um piano velho. No palco também empoeirado um vento batia por conta da porta do camarim que ficou aberta, na verdade ela não se fechava a anos devido a ferrugem que tomava suas dobradiças e ferrolhos, a necessidade de renovação era imprescindível naquele momento, porém, não se tinha notícias do mundo externo. A humanidade daquele dia em diante não sabia mais como se encontrar e não falamos de abraços e extensos diálogos, falamos de saber a atual situação e esta era um pouco mais complexa pensando do ponto de vista técnico em 59 milhões de anos-luz onde uma estrela ainda brilhava, longe, inalcançável, bela e branca. Era a visão da pianista que olhando por uma fresta do telhado que se rompeu na ultima tempestade, a esperança estava ali, naquela fresta rompida pela água que se transformou em mofo no chão de ca...

O sonho se foi - por Vom

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Meu caro Fiodor, hoje me encontrei no limbo, hoje ao despertar percebi as horas e percebi que o tempo correu rápido demais. Quando notei já tinha passado meu aniversário e assim que levantei percebi que já se foram 3 séculos e 6 décadas. Isso me faz parar para pensar na relatividade. Encontrei um pouco de paz na realidade aumentada das versões Deus x Maquina de uma vida completamente invadida por soldados em missão de paz. Sabemos o quanto é necessário saber que a paz existe, desde que também saibamos como controlar a soberania e pegar em armas se for necessário. Sei que daqui da terra não temos muitas formas e garantias, mas ao mesmo tempo sabemos dos limites dos quais a vida se classifica, se eterniza e se mantém em pleno ciclo. Quanto mais se evolui mais próximo do precipício nos vemos e cada vez que o mundo se aproxima do final. Os seres humanos acreditam em coisas que as vezes parecem tão sórdidas e mentirosas, parecem na verdade bem perdidos, tristes, sem perspectiva. Eles tem ra...

Os anjos

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Hoje fez 1 ano. Aquele copo quebrado que flutua nas marolas de um fluente rio de lodo trouxe uma complicada composição de um fado de esperança e dor. Observar os fractais que estilhaçam a luz em multicores também nos eleva a condição pensante, precisamente, em um cemitério de águas vivas que já não mais fluem ou nadam pela veia d’água. O sono se desfaz, o sonho deu lugar ao desequilíbrio de um pesadelo em que por algumas vezes se fazia no breu. Ao arriscar contato telepático em outros lugares, deu-se espaço ao mais temido dos deuses, Cronos, deus do tempo, aquele que tudo devora. Olhar para trás não é saudável e olhar pra frente não é aconselhável. A tentação de experimentar o presente se torna a única saída e a única forma de se conseguir um melhor olhar sobre as coisas. O vento que determina a velocidade e a direção das bandeirolas, é o mesmo que hoje não sopra mais em seus pulmões. A vida tirou você daqui e o vento levou você pra onde eu não posso ver. Enquanto isso, os corais s...

O avesso

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As vezes é como se o peso do mundo estivesse em minhas costas, como se tudo o que carrego em mim fizesse sentido apenas em um momento final. As vezes me pego de surpresa pensando em por fim em tudo isso e as coisas se resolvem de forma clara. Eu e o velho espelho d'água nos encontramos, o gosto amargo dura mais do que deveria e tudo aquilo ainda sem sentido persevera em um momento audaz, vicioso, incompleto e terminal. É como se o peso do mundo estivesse em apenas um grão, em uma sentelha que persiste em alimentar o fogo. É uma esperança morta. Uma esperança triste, a tristeza da espera, o caos de um lugar que nunca pertenci. O criador versus a criatura. A máquina que não para, trabalha e sem vida continua a trabalhar. É o hostil, o horário, a sirene de um alarme que toca a noite inteira e te faz acordar no meio da noite. Um momento de paz que só existe por alguns segundos antes da explosão nuclear. É o sem-tempo, sem-teto, sem-música, semi-riso frouxo incômodo durante a prece e pr...

Credêncio

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Sob a ótica intrínseca de um sonho atravessando o meio-fio como um pêndulo que rompe a barreira do ar e nos leva a crer que a gravidade não existe. O mundo deixa de ser um local hostil quando adormecemos, ele é reconfortante, ele nos traz um espectro similar, o meio-fio entre a realidade e o irreal no limiar da consciência. Faber Krystie McDonnadan Ao deitar-se limitou-se ao silêncio, cabeça encostada no travesseiro, de lado, como se estivesse apenas imaginando o dia seguinte, todos fazem isso, o mundo nos fez assim, programamos o dia seguinte sempre. Pensamos nesta forma robótica como se tivéssemos a plena certeza de que ao encostar a cabeça no travesseiro o dia seguinte apareceria logo ao abrir os olhos. O dia seguinte, uma nova chance, um novo acalanto, uma nova promessa, um novo abismo, uma nova tortura, uma nova possibilidade, ou se pudermos também chamar tudo isso de os mesmos substituindo as palavras, as mesmas chances, os mesmos acalantos, as mesmas promessas, o mesmo abismo, a...

Stalker Soul

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Em um momento de reflexão, percebeu que o mundo estava em colapso. Os braços respondiam em conjunto as pernas que apenas realizavam seus movimentos limitados e arriscar o primeiro passo foi o momento em que tudo fez sentido. O colapso era interno, o mundo era interno, o espirito era interno, o pescoço dolorido apenas sinalizava que algo estava errado e virar a cabeça para a direita não era uma escolha naquele momento mas, com um pouco de jeito era possível arrematar o corpo e fazer com que a direção se tornasse um norte. Confuso pela pressão em seu crânio que se esvaía pelas narinas ainda intactas, assumiu uma forma robótica a qual não escolheu, mas a imposição foi necessária para adquirir a longevidade. A leve brisa que o vento concedia enquanto o trem passava pelos trilhos de superfície era compreendida ao deitar-se após o tombo. O céu nublado, as aves que fugiam para seus ninhos esperando o temporal pareciam bem assustadas, temiam a água, as gotas, os trovões e sabiam que er...

O poeta morto - Temporal

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Nas vastas entranhas de um mundo imprevisível se vai mais uma alma que se solidariza com o tempo. As nuances de um fato sempre acarretam no resquício de uma vida inteira e a partir de um lapso temporal. Somos responsáveis por um mundo cruel, sem vida, desonesto, pecaminoso e calado. O poeta está morto e junto com ele foram levadas todas as esperanças de uma vida. Ter filhos, talvez, ser reconhecido, talvez, ser alvo de críticas, talvez, ser alvo dos rifles e das bombas, talvez, talvez, talvez e foi assim que se foi, na satisfação de uma dúvida eterna na qual subjugava as forças externas. A dúvida nunca foi sanada e o próprio nem ao menos arriscou o salto no precipício escuro e vão. Se matou? Jamais tiraria a própria vida. Foi morrendo aos poucos, por dentro, adentrando uma resolução vital na qual se entregou ao mundo e decidiu não modificar o meio em que vivia. Se moldar a tudo e a todos o fez perder o mais importante, o amor-próprio. Um dia se percebeu em sua casa, rodeado de tu...

Gasparada - Enfermaria - O mórbido

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Durante um apelo eloquente de se buscar respostas, ela caminhava em um corredor extenso o suficiente para causar-lhe medo, ou, no mais correto de se dizer, angustia. Ainda em um mar aberto de possibilidades, arriscou-se no infinito de uma vertigem e as dores começaram. Primeiro pulsando e logo após tudo apagou, não de forma a se esquecer o que ocorrera, mas foi como se tudo ficasse em tons sépia e logo um pouco esfumaçado. Se observava os movimentos nos quais sabia que as pessoas ali não pareciam reais, eram vultos que se moviam um pouco mais rapidamente como se não houvesse a linha do espaço-tempo, eram seres errantes que transpassavam paredes, portas e mobília. Era de certa forma angustiante e ao mesmo tempo incorreto pensar que de repente um rastro se formava a partir de um pulso no ar já que esses seres não pertenciam ao mundo real. Chocou sua realidade com a idealização de um sonho ruim no qual teria adentrado e não poderia sair dali a não ser que acordasse. Sua missão naque...

Coluna social - Folha 2 - em revisão

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A leveza das coisas simples e o caos mundano se chocam nos momentos chuvosos nos quais a alma se delimita em apenas residir em uma casca bruta e sem critérios. A relatividade nos traz a o que se torna arbitrário, a expectativa contra a realidade, o choque contra o arbusto, o sermão contra o coração, a sensibilidade contra o muro frio. Dentre os mais criticados momentos em que a sociedade se vê diante de um momento de clausura e vingança, transparecemos o momento de dar a outra face e viver uma vida sem expectativas na qual “aquele que não se ilude, não se desilude”. Compreender que a virtude do sábio não é ensinar a pensar, mas deixar com que pensem e muitas vezes compreender o seu papel no meio em que vive e este é apenas um parênteses no grande leque que se abre ao estudar as ciências, a literatura, as normas técnicas e as tantas formas de expressão artístico-cultural que servem o mundo. Buscar a empatia é também compreender o lado oposto ao seu e negar de todas as form...

O Enforcado

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Existem dias em que as coisas fluem de forma a nos fazer pensar um pouco mais fora da caixa e compreender os papéis de todos ao nosso redor sem esquecer que a vida é uma provação sem fim, onde as leis nos mantêm no jogo árduo da liberdade. As vezes nos colocamos a pensar em como seria a vida destas pessoas se por um acaso não existíssemos, é uma provação, pois, por muitas vezes caímos no pensamento de que talvez isto realmente fosse uma ideia palpável e também as vezes pensamos no mundo como um imenso redemoinho no qual apenas somos carregados até o centro escuro e desconhecido, qual o legado deixado por nós? Quais as verdadeiras coisas que nos impulsionam e quais as desilusões que nos trouxeram até aqui? Por que suportamos as coisas por um bem maior, se as vezes o bem maior é também apenas uma ilusão? As feridas deixam cicatrizes, calam nossa voz, transformam o nosso caráter já moldado com unhas e dentes desde a infância. As feridas permanecem abertas em nossas memórias e, a...

Devaneios Sociais - Folheto 02 - Página 01

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Independentemente de onde venham as pessoas e quais sejam os seus costumes, a vida urge como um raiar de Sol entre as frestas das folhagens nas arvores. A empatia está muitas vezes ligada a representatividade de tal ação e vemos que o ser humano ainda reage com raiva aos seus desafetos quando deveria procurar compreender da melhor maneira que qualquer ação varia de sua própria natureza. Nossos atos estão estritamente ligados à nossa consciência, e, muitas vezes fazer o errado é um conceito moral no qual se sabe das consequências, mas, possui-se a total certeza de que nada acontecerá, como em um jogo de perde e ganha. Quando furam filas, quando veem o troco errado na mão e não devolvem, quando se pega algum doce no mercado sem pagar, entre outros pequenos delitos que são moralmente errados, porém a fragilidade moral de que “o que os olhos não veem o coração não sente”. A sociedade acaba por se escravizar nestes conceitos nos quais se prendem as leis e estas são implacáveis, ma...

Uma carta

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Quando o mundo se afunda e você não tem para onde correr, o único refúgio está em si mesmo. Você não pode obrigar as pessoas a confiarem em ti, mas, as suas atitudes sempre serão um porto seguro contra todas as mazelas. O primeiro passo é confiar em si mesmo e manter sempre o seu caminho aberto para a felicidade. Ser feliz de fato é uma caminhada, já que a felicidade é e sempre será baseada em um momento no qual você sempre terá duas escolhas, mantê-la em sua memória ou esquecê-la para sempre. Aquele frio na barriga é característico, acordar todas as manhãs com um propósito diferente na cabeça, pensar, agir e sempre manter a sobriedade perante os acontecimentos mundanos é uma porta para a felicidade, ela acontece, ela se mantém mas, no menor deslize ela se vai e se vai muitas vezes para não voltar mais. É uma equação complexa na qual nos dispomos a interferir diariamente e muitas vezes nos deixamos levar pela tristeza de um momento e ali a tristeza fica, assim como a alegria....

A necessidade do brilhantismo nos tempos atuais

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Nos dias atuais as pessoas tem a necessidade de se destacar intelectualmente, por motivos obscurecidos pelas próprias. Vemos isso em discussões em bares, em discussões nas redes sociais, em debates em faculdades e afins. Alimentar o ego é de fato algo que a sociedade hoje precisa (e sempre precisou), os indivíduos, financeiramente falando, já possuem a maior parte das coisas que almejam e as que não podem ter são de fato inalcançáveis a sua classe, ou seja, se tem carros, apartamentos, casas e todos os tipos de penduricalhos possíveis. O dinheiro que se ganha com o trabalho formal ou informal acaba por ser consumido pelos eletrônicos, planos de assinatura de aplicativos e afins. Salvos os desempregados e pessoas de baixa-renda que não possuem de fato o poder aquisitivo para o consumo que abrange grande parte da população. O fato que desejo expor é mesmo o da expressão que se faz de título ao texto, “a necessidade do brilhantismo nos tempos atuais”, e me baseio nos contatos nos quais ...

A lama

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Em mais um dia como em um terreno frio, como se estivesse tocando a lama fria nos pés, no fundo de um rio nas montanhas geladas, aquele que te faz observar a vida toda num piscar de olhos e nada daquilo parecia fazer sentido a não ser a sobrevivência. A relação em que se observa ao relento, jogado no fundo de um rio como uma pedra que estará ali, estática por anos e anos e anos... Parece tão cruel quanto uma corda que entrelaça e sufoca ou como uma faca que invade e desobstrui a vazão dos fluidos vitais. A sobriedade de um ser que se deslumbra com o mundo é tão incrédula quanto o ser que se arrasta pelo mesmo e se afoga nos horizontes de um céu escuro em plena luz do dia. O monstro não o persegue, ele mesmo o é e todos os dias de uma vida viverá a sombra deste que vive dentro de si, ao mesmo clarão de sobriedade que o mundo as vezes o faz pensar que talvez tenha uma esperança, me trazendo a ideia da equilibrista que no primeiro deslize se faz uma força desumana para se manter e...