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Precisa, intensa e explosiva

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Hoje em dia os amores líquidos levam a crer que as relações duradouras não existem mais, que as pessoas intensas são desesperadas e que nunca haverá um casamento como aquele dos nossos avós. Alguém aqui duvida que haverão pessoas que se casarão, no sagrado matrimônio ou não, e levarão a ferro e fogo um casamento de 50-60 anos? Deixando de lado esses milionários europeus de “sangue azul” que se casam cedo demais para manter a fortuna dentro da família como os antigos reinados. Obviamente que algo nos faz pensar sobre as relações que temos hoje em dia com as redes sociais, pessoas que se amam e nunca se viram, pessoas que se veem todos os dias e se odeiam, fotos sempre sorrindo, fatos contados em texto ou vídeos, telas e mais telas indicando o pior mundo de todos os tempos para as relações humanas. Entre um reels e outro, temos uma pequena propaganda que se abre nos vendendo algo que pesquisamos a menos de 7 dias atrás, o tal do algoritmo é o centro de todos os dados e, por que não, ...

Bariloche (ou manual de procedimentos técnicos de segurança administrativa aos finais de semana pares, PARES, não Paris)

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Hoje tive uma lembrança. Enquanto escarafunchava memórias ainda que sólidas e ações que ainda mantinham vivas as perspectivas de um futuro daquele passado que se fazia cada vez mais claro, lembrei que estava ali, inerte, estagnada, parada, uma imagem que meu cérebro ainda se queima todo para entender, é importante dizer que não me lembro das suas feições e emoções daquele momento. A vida era pacata, o momento era restrito, no meio da selva de sentimentos e promessas, “vi a cidade fervendo na emulsão da retina. Crepitar de vida ardendo, mariposa e lamparina. A cidade ensurdecia, rugia como um incêndio, era veneno e vacina”. Observava tudo meio pixelado, meio esbranquiçado, lembro-me do ambiente claro do sofá verde/azul tiffany, do piso de madeira e das paredes brancas, lembro-me do quarto sempre escuro e das aranhas que moravam nas periferias do teto. Lembro das plantas e dos arbustos e até dos barulhos noturnos que os vizinhos faziam, as garrafas de whisky no bar, a TV enorme, o cachor...

“Não responda esta mensagem”

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Doutro lado tais quais os Mouros observavam o céu de uma inquisição maldita, algo dizia que as vias intempéries de algum lugar surgiam no horizonte com muita força e que igualmente se esvairiam. A diferença era o contraste, de dentro da carne, no cerne, no centro ao avesso, pelos lados. O modo “Практикуйте невозможное” (Praktikuyte nevozmozhnoye – pratique o impossível) estaria ativo a muito tempo atrás e ele não havia ainda sido desligado por motivações governamentais. A questão agora era o termo “андроид” (android) que a muito não se via nas páginas dos jornais, mesmo que em termos estes já caíram em desuso, mas boa parte das comunicações ainda dependem do bom e velho papel. A telepatia se inundava nas águas azuis e claras das Maldivas. Os datacenters em torno das casas de palha, resfriados pelo complexo marinho dessalinizado. A vida já não mais perseverava como antes, apenas escapava, como sangue em um corte profundo. Os sonhos, entretanto, estes gozavam em um período tênue que se c...

Orgânico

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O mundo está um caos. Já diziam isso nos anos 90. Só não imaginavam que, 30 anos depois, esse caos seria descoberto como uma forma silenciosa de organizar a sociedade “por baixo dos panos”. O enriquecimento de urânio, o enriquecimento no home office… toda a tecnologia de uma lava e seca que não seca porra nenhuma vem acompanhada de sondas como as Voyager — que, mesmo lançadas na década de 70 (em 1977, para ser exato), ainda mantêm formas de contato com a NASA na Terra. Não é intrigante como máquinas feitas para secar roupas ainda não fazem isso com destreza? Pois bem, cá deste lado da ISS, no ponto escuro onde todos dizem ser o lado da Pockocmoc (Roscosmos), consigo visualizar o globo por um ângulo diferente. Dizem que ele está de ponta-cabeça, mas isso não faz o menor sentido, já que o planeta é um globo. Hoje eu vi um fantasma. Ele parece ser tímido, desaparecendo sempre que olho de volta. Um vulto pequeno, uma sombra — às vezes visível pela minha visão periférica enquanto escrevo c...

Crescei e multiplicai-vos

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Adentrando a simulação, eram inclusas complexidades durante os planos base. No começo tudo se iniciava com células simples que se dividiam e multiplicavam perante sua adaptação ao meio em que foram inseridas. Nenhuma evolução, eles diziam, ocorrerá sem dor. Assim se fez, para multiplicar era necessário se dividir, diminuir, cortar, dilacerar, nada se criava do nada, tudo era inserido por algum motivo, ou por algum desejo, ou, além disso, por algum castigo, mas, como castigar algo que não possui formas de sentir que está de fato sendo castigado? Para que uma ação faça sentido, ela deve ser validada pelo seu receptor, a não ser que o ator esteja brincando sozinho com suas ideias mirabolantes em um monologo estranho em um palco sem plateia, sem luz, sem som e sem texto, o que anularia de fato a simulação. A questão é que de unicelular, se tornaram multicelulares e daí em diante foram inseridos tantos quesitos parâmetros como número de patas, revestimento, tipo de alimentação, tipo de resp...

Tous les Jours - 05

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 O Juca era verdadeiramente um cara bem viajado, tão viajado que em uma dessas conversas de balcão deixou escapar uma de suas viagens pela Ásia, logo no início, quando decidiu viajar por conta de um intercâmbio para a China. Fez faculdade e etc, o cara não era fraco não. Ele contava: - Por vários dias passei sozinho andando por aí, a capital chinesa, Pequim é pra lá de variada e tem muita gente andando pra lá e pra cá, o modo asiático de vida é meio controverso, eles fazem praticamente as mesmas coisas que os americanos e se dizem comunistas. O Léo gostava dessas conversas, viagens e etc. Ele só não se abria muito quando a conversa era sobre mulher, o moleque comia quieto, bem quieto. Enfim, questionava: - Mas lá era muito frio? Juca respondia: - Acho apenas que o inverno é um pouco menos rigoroso que em algumas cidades que o inverno é mais forte, como Vancouver ou Cleveland, mas, claro que quem não gosta de uma friaca, que procure uma cidade mais ao sul, o litoral é feio...

Um manifesto

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pelas almas que passam a vida inteira entregues ao acaso de se perder em meio ao mundo. Deleitem-se ao menos do prazer de carregar consigo mesmos seus medos, angústias e atrevimentos. Levem suas lições e assinem suas próprias sentenças. O mundo é hostil, é inóspito, o oxigênio que nos dá a vida é o mesmo que aos poucos a tira. A natureza não é amiga, somos parte dela e de sua cadeia alimentar. As pessoas são sacanas, são safadas, é de natureza do ser humano levar vantagem em tudo e são pouquíssimos os casos dos que se eximem desta culpa. A maior parte destes vive sob as sombras do próprio egoísmo e do mal que faz pensando apenas na própria sobrevivência. A todo momento extraindo tudo o que a vida pode fornecer e quanto mais fácil, melhor. A noite é dos coiotes e só sobrevive quem de fato se encarrega de fazer parte da matilha ou se arma contra estes que procuram a carniça. Ainda que na matilha, sabemos que a moeda de troca nunca será a lealdade. No mundo de hoje, depender apenas ...

O trago

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 Ao mesmo tempo A brasa sustenta Regida pelo vento Naquele que se ausenta   O cais de américa se finda A fragata se adentra Um oceano se centra Num destino que em sua vinda   Trás-os-Montes da Lusitânia Agrava os perigos dos mouros Em harmonia Aos tolos   Pobres dos que carregam Um destino incerto D’onde se entregam No exceto    Inocentes morrem O cigarro se apaga O frio se torna ad valorem Nos pulmões de quem traga   Para tal derrota É preciso astúcia Ao som da rôta Ao passo da renuncia   “As gaivotas pairam no céu tocando o oceano em seu desígnio de perpetuação. O Sol se põe ao longe enquanto as embarcações parecem sumir no horizonte. Estou num cais, como quem parte. Olhando o mar, como quem fica.” Vom Krystie McDonnadan

Mallevs Maleficarvm

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A li parado, observando o buraco negro a uma distância segura, observei que a anomalia ocorria no deserto de eventos. Alcançar o centro, para nós humanos, era de fato algo irreal, feria a nossa consciência, dignidade e moral. Seria um lançamento no desconhecido com a consciência de que o retorno jamais existiria. Arremessar-se contra aquele que era visto, porém desconhecido, foi apenas uma ideia impulsiva, que foi cumprida com sucesso. O mundo é sufocante dentro do vórtice, do vácuo, os sons estridentes dentro de sua cabeça podem parecer cada vez mais altos e quando se percebe são seus neurônios que estão em plena combustão. Seus ouvidos não sangraram pois não havia pressão suficiente para que o sangue escorresse para fora. A cabeça parece querer sucumbir ao abismo enquanto os novos espectros são capturados pela gravidade, as ondas de rádio vieram de muito longe e percorreram o espaço através dos ecos que perduraram por bilhões e bilhões de anos entre idas e vindas do tecido escuro. A ...

Toronto

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  Eu queria dizer uma coisa breve, nunca foi meu plano te deixar. Você com seus transeuntes que nunca param de andar, é natural, é fria, é calma e é tranquila. Toronto é de longe o melhor lugar que já estive, é onde me sentia bem no meu trabalho, me sentia bem em relação às pessoas tanto no tratamento para com os estranhos que pediam informação quanto na rispidez de outros que chegaram de outros países ainda crus e cegos pelo seu instinto de sobrevivência. Suas ruas são convidativas e nos fazem querer conhecer cada pedacinho, tanta coisa para se ver, tanto a se descobrir dentro de sua excentricidade do nascer de um dia ao nascer de outro dia. Andar pelo cruzamento da Yonge and Bloor, ouvir ao longe Del Barber em sua musica lançada em 2014, Big Smoke. “Cegos pelas luzes da cidade Cego pelas luzes da cidade ninguém pode ver você parando. Faz tanto tempo desde que você viu as estrelas da pradaria e você não tem certeza de que pode lembrá-los, mas há algo aqui para você encontrar”....

A Fobia e o Decreto

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E ra mais um dia de sol, com aquele vento frio que soprava entre as frestas da janela e adentrava os pulmões já dissecados pela química de um cigarro. O trago absorvia o peso dos dias enquanto arrancava a tosse lá do fundo, até mesmo o agasalho exigia um pouco mais de conforto àquele que mal vestia, mal cabia, era tanto a se cobrir que o tecido já não se suportava, as tramas hora fechavam-se e hora abriam, o tecido respirava e transpirava o álcool que restava naquele corpo que buscava calor e os fantasmas apareciam buscando ajuda onde todas as entrelinhas já estavam tão expostas quanto a febre. Arritmia e condensação precipitavam diante do crepúsculo que se fazia presente por entre as arvores e torres de energia. As linhas tinham um ponto de inicio e final, o horizonte calmo e sereno denunciava a tormenta que se avizinhava no meio fio da calçada. As paredes de tijolos corroídos pelo tempo tinham data indefinida para se render a erosão e todo o processo de deterioração mundano. Ali se...

Carta a Vom - As memórias

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Meu caro Vom, sempre inicio nossas cartas com este prefixo, já que tantas as vezes nos obrigamos a esquecer. O esquecimento parece uma ligeira defesa do nosso cérebro para que não guardemos tantas coisas as quais as vezes não possamos carregar. Como diria um grande amigo em um de seus desconexos textos: - “Te vejo neste contexto desde sua partida, como alguém que viaja e não volta, não tive nenhuma opção a não ser aguentar os mundos nas costas, daquele dia em diante tudo o que eu pude fazer foi suportar e entendo que suportarei até o momento em que passarei este fardo a outra pessoa que terá a minha imagem e semelhança, apesar de tuas loucuras, havia uma bondade infinita dentro deste seu coração, apesar da dureza, havia a compreensão, apenas sua teimosia me matava aos poucos assim como te matou também.” Sinto, meu caro Vom, que daí deste lugar pequenino as coisas são vistas com um certo desleixo, a situação por aqui é precária, ouvi dizer que mais ao oeste pessoas passam fome, não poss...

A Pólis e Apolo - Um manifesto

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Somos fortes, somos individuais e prezamos apenas pela nossa sobrevivência, sobrevivência essa de um conceito falso, já que a maior parte de nós ainda vive com os pais e não tem a necessidade de pagar aluguel e contas básicas como alimentação, transporte e vestimentas. Alguns de nós tem seus empregos, são até bem-sucedidos, mas jamais escapam da sombra dos pais, estes que com o auge dos 40, 50 ou 60 anos ainda provém o sustento de uma família. O dinheiro falta, não temos controle financeiro, não precisamos dele, somos nós que mandamos no nosso dinheiro e compramos o que queremos, gastamos tudo com o que nos convém. Sejam bebidas alcoólicas, roupas de grife, sapatos, tabaco, drogas ilícitas e afins. Muitos de nós possuem pequenos fetiches por coisas ditas de nerd, ou então o termo nerd foi adquirido por alguns de nós que se autodenominam nerds, que fazem parte da cultura nerd, da cultura gamer, da cultura de algo tecnológico. Amamos livros que talvez nunca leiamos, ou somos escritores d...

Drogas, conteúdo sexual e linguagem imprópria

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A casa estava cercada, era noite, quase dia, na linha do horizonte o Sol se erguia entre as plantas mais altas. Fizera frio na madrugada, o que também era um fator de dificuldade para os que estavam ali aguardando a abertura das portas já que um nevoeiro tomava conta dos arredores. O sentimento de solidão unido ao cansaço do trabalho apenas reiterava aquele nevoeiro que insistia em tomar conta da área externa, do telhado e passar também pelas frestas da janela e das portas. Tudo estava gelado e o fogo da lareira sem alimento sobrevivia em uma brasa, pequena, cintilante com um brilho calmo, digno de algo que esteve ali a noite inteira e necessitava-se findar. As poltronas velhas rebatiam o ar frio que entrava pelas frestas e até os animais que por hora se aqueciam em suas posições, estavam procurando uma saída, mas não havia movimento naquele lugar. A névoa permanecia intacta como se fosse uma entidade maior, como se fosse algo consciente. Não havia ninguém em casa, não havia calor, nem...

O Juízo

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Os gritos de socorro que se ouvia ao longe entre os cânions repletos de areia e solidão a lua pairava no ar como se flutuasse entre o túmulo e a grama verde que cobria o cemitério no qual se instalavam os bunkers nos quais muitos se salvavam. Salvação era a ideia primordial antes que qualquer coisa se chocasse com a realidade mórbida dos alienígenas que visitavam constantemente o planeta. Estes tinham uma certa resiliência a aterrissar suas naves e se deparar com a hostilidade que poderia ocorrer em um lugar onde misseis apontavam para os iguais. Era de fato complexo compreender o porque daquela destruição. Por vezes clamavam por soberania e outras vezes clamavam por misericórdia, a questão era o entendimento entre ambos que já não falavam a mesma língua ou até mesmo não se interessavam em compreender o que sentia cada um. O tumulo estava vazio, era apenas uma ideia que a cada pá de terra que se colocava ali se tornava também o fim de qualquer chance de paz. O tumulo significava o fim,...

Hljómalind (trilha sonora)

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 A iluminação sob as velas e os fogos que ela mesma acendeu enquanto acendia também um cigarro antes de sua apresentação, seus olhos vidrados, roupas surradas, dedos esguios e um piano velho. No palco também empoeirado um vento batia por conta da porta do camarim que ficou aberta, na verdade ela não se fechava a anos devido a ferrugem que tomava suas dobradiças e ferrolhos, a necessidade de renovação era imprescindível naquele momento, porém, não se tinha notícias do mundo externo. A humanidade daquele dia em diante não sabia mais como se encontrar e não falamos de abraços e extensos diálogos, falamos de saber a atual situação e esta era um pouco mais complexa pensando do ponto de vista técnico em 59 milhões de anos-luz onde uma estrela ainda brilhava, longe, inalcançável, bela e branca. Era a visão da pianista que olhando por uma fresta do telhado que se rompeu na ultima tempestade, a esperança estava ali, naquela fresta rompida pela água que se transformou em mofo no chão de ca...

O sonho se foi - por Vom

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Meu caro Fiodor, hoje me encontrei no limbo, hoje ao despertar percebi as horas e percebi que o tempo correu rápido demais. Quando notei já tinha passado meu aniversário e assim que levantei percebi que já se foram 3 séculos e 6 décadas. Isso me faz parar para pensar na relatividade. Encontrei um pouco de paz na realidade aumentada das versões Deus x Maquina de uma vida completamente invadida por soldados em missão de paz. Sabemos o quanto é necessário saber que a paz existe, desde que também saibamos como controlar a soberania e pegar em armas se for necessário. Sei que daqui da terra não temos muitas formas e garantias, mas ao mesmo tempo sabemos dos limites dos quais a vida se classifica, se eterniza e se mantém em pleno ciclo. Quanto mais se evolui mais próximo do precipício nos vemos e cada vez que o mundo se aproxima do final. Os seres humanos acreditam em coisas que as vezes parecem tão sórdidas e mentirosas, parecem na verdade bem perdidos, tristes, sem perspectiva. Eles tem ra...

Os anjos

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Hoje fez 1 ano. Aquele copo quebrado que flutua nas marolas de um fluente rio de lodo trouxe uma complicada composição de um fado de esperança e dor. Observar os fractais que estilhaçam a luz em multicores também nos eleva a condição pensante, precisamente, em um cemitério de águas vivas que já não mais fluem ou nadam pela veia d’água. O sono se desfaz, o sonho deu lugar ao desequilíbrio de um pesadelo em que por algumas vezes se fazia no breu. Ao arriscar contato telepático em outros lugares, deu-se espaço ao mais temido dos deuses, Cronos, deus do tempo, aquele que tudo devora. Olhar para trás não é saudável e olhar pra frente não é aconselhável. A tentação de experimentar o presente se torna a única saída e a única forma de se conseguir um melhor olhar sobre as coisas. O vento que determina a velocidade e a direção das bandeirolas, é o mesmo que hoje não sopra mais em seus pulmões. A vida tirou você daqui e o vento levou você pra onde eu não posso ver. Enquanto isso, os corais s...