domingo, 3 de setembro de 2017

Primeiras impressões - 1.0

Este país é cheio de mistérios em meio ao concreto, sempre há um beco novo para conhecer ou algum templo bem pertinho para te dar alguma paz no coração. As pessoas são mais solicitas mas eventualmente não estão se importando muito com o que você anda fazendo, cheiro de maconha é o que você mais sente nas ruas dos bairros mais afastados, porém as ruas estão sempre muito cheias e parece que por aqui ninguém se diferencia pela grana que tem, inclusive é simples ver Ferrari, Lamborghini e Limusine pelas ruas, assim como é comum encontrar pilotos de avião no busão, sei até de histórias que um cara preferiu uma SUV a uma Ferrari por conta do bagageiro, seria um empecilho fazer compras de supermercado com uma Ferrari. As coisas por aqui têm um preço bem baixo e se você trabalha você ganha o seu dinheiro para viver bem, ninguém vive mal cá no país gelado.

Uma coisa que me tocou demais o número de missões de paz que o país entrou. Falando em Guerra, o memorial daqui é muito bonito, pequeno em relação ao tamanho das missões feitas pelos soldados canadenses, em sua maioria, como dito, missões de paz, é assim que eles chamam as missões das duas grandes guerras e a maior parte das guerras no oriente médio. Enfim, dei umas voltas por aí, comi comida na rua e meu estômago de avestruz continua o mesmo. O que me incomoda um pouco é que em todos os lugares tem luzes demais e música demais. O parques por aqui são quase refúgios, tanto de animais quanto de pessoas, vê-se muita gente aproveitando a brisa do lago, ah, sim, por aqui venta demais, o tempo todo está ventando, a cidade é toda plana, o que ajuda muito na ventilação, mas é claro, no inverno, também ajuda a trazer temperaturas realmente baixas e fazer com que a sensação térmica seja ainda maior, já tive relatos de que chegaram por vezes aqui aos 30 graus negativos, o que é realmente doido pensando no inverno mais denso que tive no Brasil que foi de 7 graus.

Caminhar pelas ruas é como se sentir sozinho e acompanhado ao mesmo tempo. Sempre muita gente andando para os mesmos lugares, ninguém sai de casa para fazer nada. Todos por aqui parecem ter um objetivo traçado, exceto os que chegaram a pouco tempo e tudo é novidade, tudo é foto, tudo é motivo para felicidade.

Ontem durante uma caminhada até o “city hall” vi pessoas noivando e tirando fotos para o book. Assim como perto do “Royal Museum”, também vi um casal atravessando a rua pelo mesmo motivo. Um tanto bonito, eu ainda me emociono com essas coisas, casamentos me deixam meio assim, não sei explicar. Eles continuavam caminhando até que os perdi no meio da multidão, na infinitude da calçada onde meus olhos não mais acompanhavam, de um lado a missão dos fotógrafos e de outro a missão do casal. Adentrando a “Church os the Redeemer”, na tradução, “Igreja do Redentor”, eles seguem os padrões anglicanos, ou numa explicação mais ampla, as igrejas que seguem os padrões ingleses são chamadas também de episcopais. Uma paz tomou conta de mim. É muito complexo explicar de forma concreta, como é que haveria um lugar tão acolhedor em meio ao barulho dos carros, caminhões, pessoas. Lá dentro, é possível ouvir as batidas do próprio coração.
Ao mesmo tempo em que pisar fora dos limites divinos significaria perder a paz, é como se todo o barulho tivesse sumido e estivesse voltando aos poucos, de forma bem tranquila, como se aumenta gradativamente o som do rádio ou da tv.

Numa dessas caminhadas, as 3 e pouco da manhã encontrei um cara no ponto de ônibus, ao descobrir que o “street car” demoraria 30 minutos para passar, resolvi ir andando e ele acabou acompanhando. Falamos sobre a vida, sobre as coisas que cercam, indiano, nasceu aqui e sonha voltar pra Índia, vai conseguir. Nos apresentamos, mas não sei se compreendi bem seu nome, Ulni. Ele parecia bem novo apesar da barba já crescida. Ele tinha ideia que iria levar fumo do pai ao chegar em casa e bater na porta as 4 horas da manhã para entrar.

Ainda não tenho conclusões sobre nada por aqui, a cidade anda e tudo vai para a frente. Não existe amor ou ódio, existe humanidade, existe um sentimento mútuo de coletividade. Ninguém se preocupa em olhar para o lado nas ruas, aqui os carros param para que você atravesse, isso é humanidade. Ninguém buzina ou grita porque você está atravessando a rua na frente dos carros, todos respeitam os semáforos, tudo acontece como em uma máquina bem afinada. Aqui é cada um por si, mas se precisar de ajuda, pessoas surgem do nada, prontas para ajudar.

Aqui como em qualquer lugar existe o bem e o mal. Em meio a vista de concreto que proporciona os arredores e os poliedros. Em meio aos músicos de rua e aos street cars, estes não param nunca.


domingo, 6 de agosto de 2017

Na pressão

Já parou para pensar o quanto os seres humanos almejam por um relacionamento a dois? Por quantas vezes me é questionado o fato de que eu me sinto bem sozinho e que a necessária solidão ela é realmente um ponto chave na vida de muitas pessoas? Vivemos hoje em um mundo onde as pessoas se dão melhor consigo mesmas, mas estar em um relacionamento é realmente algo de status.

Hoje mais uma vez me coloquei a pensar sobre relações, não entre amigos ou irmãos, falo daquela relação entre duas pessoas que se conhecem por acaso e se desandam a conversar todos os dias, ficam íntimas, a vida segue e a relação amorosa toma o lugar da amizade que cresceu ali. É de fato curioso que a beleza externa é um conceito padronizado, que a mídia sempre nos trouxe, mas nota-se que este é o ponto principal da coisa, o inicio, no inicio ambos se mostram da maneira como creem atrair o outro e em termos básicos acabam sempre concordando com tudo o que o outro diz, as opiniões batem, ambos se sentem representados no outro lado e aquela conversa se passa por horas e horas no mesmo patamar ou até mesmo quem sabe evoluindo, sim, mas de certa forma, partimos para o velho bordão... “time que está ganhando não se mexe”, acabamos entrando na zona de conforto da relação.

Sem tirar o direito de ninguém de se sentir confortável onde quer que esteja, tenho por base em relações passadas, modo de vida e autocritica que eu me dou bem sozinho e de certa forma não existe aquele medo de ficar só para sempre. Eu sou a minha melhor companhia e todos os anseios que esta vida me trouxe nela se resolveram. Viver em um marasmo, hoje, não é o que eu busco, já naveguei anos e anos em mares inavegáveis, já experimentei os ossos de uma relação a dois onde no fim, morar junto acontecia por necessidade, por saber que fora dali alguém ia se foder, é claro que um muito mais que o outro, mas não é este o detalhe que busco neste texto. Busco a compreensão de um relacionamento que me tire o sossego, que me tire da zona de conforto, que me faça pensar sobre o mundo e que não seja uma relação de cama, mesa e banho. Que existam os confortos e que venham as viagens a dois, os momentos para trepar e trepar bem, sexo morno não é sexo, é status “transante” e não almejo status nem entre as tais quatro paredes. Eu busco aquela pessoa que me tire do sério, que me veja puto da vida, mas que saiba que aquilo acabará rápido e que saiba como contornar aquilo rindo da minha cara enquanto eu esbravejo, procuro alguém que entenda quando eu disser que quero dormir o dia todo e que não desconfie de que eu esteja saindo escondido. Não há nada melhor do que uma relação que te tira o sossego. Que te faz pensar, evoluir, chegar além do que você supunha.

Ficar rico, ter condição, conforto, do bom e do melhor é necessário, sabemos que ninguém vive de amor, mas já chegou a pensar em contas pagas, uma TV grandona, um sofá macio, quarto básico com guarda-roupa e uma cama, aquele apartamento basicão, ou uma casa fofinha, dessas de filmes americanos onde os velhinhos moram? Não quero uma mansão, é grande demais para limpar. Um lugarzinho que cabe nós dois e só.
Alguém que evolua comigo, que procura entender o que eu trago dentro de mim sem julgar pela ótica que trouxe das suas experiências. Eu prometo fazer o mesmo e ser totalmente aberto ao novo. Desta forma, eu vejo as relações como o trânsito de uma metrópole:
“Apressado, sincronizado, por horas parado, mas se os olhos não se mantiverem bem abertos a todo instante, ele te engole”.


Viver a dois, vai além de dizer sim sempre. Dizer não é necessário, mas dizer não sempre é cruel demais pra quem busca compartilhar uma vida a dois.


segunda-feira, 19 de junho de 2017

Dona eis Requiém - 1.1

O mundo parecia do avesso e com certo pesar, os demônios internos ainda perseveravam em arriscar romper a pele grossa para alcançar o mundo externo. Arrebentar o peito e escapar com louvores e os sons dos anjos caídos, de certa forma, naquela sala, em frente a lareira era algo a se pensar, mas concluir era outra história.

Após 394 anos em vida, transportando animais inocentes e exterminando a raça humana para sua sobrevivência, de fato o fogo não mais aquecia e não mais clareava a casa como antes. Estávamos percebendo que o dia durava menos e a noite era mais escura. Era necessário um novo pacto.

Já nos encontrávamos em uma espécie de ritual xamânico, no Quênia, estava deitado, fruto da caça, boca aberta, como se estivesse gritando, em sinal de medo e dor. Cordas amarravam os membros superiores e inferiores para que não houvesse locomoção. O carrasco viria mais tarde, com a ponta de uma lança, ferindo a jugular e o baixo ventre de seu sacrifício, a luz do mundo se acendeu, o fogo brilhava mais alto do que de costume. Voltaram-se aos olhos da corsa, esta sorria de forma liberta enquanto os demônios saíam através do rombo deixado pela ponta da lança em sua pele.

O mundo estava naquele momento a beira do colapso e em momentos de loucura os libertados demônios não se sentiam agradecidos aos xamãs, que foram os primeiros a ter a vida arrancada com a mesma lança que empunhavam durante o ato. Vingando-se.


“Não contais com a sorte em dias nefastos. Não procureis de fato a benevolência dos homens de boa fé já que estes também arriscam as vezes pisar no inferno. Arriscar a vida ou a morte, é sinal de necessidade ou desespero. Mas crê, nobilíssimos fiéis, nos dias de hoje até os demônios sentem compaixão”.


terça-feira, 16 de maio de 2017

Minha azul Moscou

Eu não acreditei quando você se foi, cá deste lado do Mar Negro, os pés gelam enquanto pisam a neve. Cá deste lado do Mar Negro, procuro compreender por vezes incertas o quanto significaria para mim sua partida. Enquanto estive em Moscou, percebi que os Russos tem uma peculiaridade estranha em suas palavras, assim como todas aquelas vezes em que eu não sabia muito como te dizer, mas, talvez, aquela moça que passava pelo nosso lado enquanto tomávamos um drinque no Dorogaya, não estivesse apenas de cara fechada por estar de mal com a vida, os russos tem uma peculiaridade em suas vidas, desde o nascimento até a morte. Percebemos isso ao ler Dostoiévski, o grande imortal. Há muita paz no território gelado denominado Russia. Apenas não há felicidade. O povo russo é festeiro, se embriaga com frequência e se mantém em uma tristeza profunda.

Antes disso, lembra? Nos conhecemos nas ruas de Manhattan, você jogava pipoca aos pombos, estava quente, era primavera e naquele ponto, algumas flores nos canteiros do centro financeiro davam um tom menos hostil aos túmulos petrificados em forma de prédios. Estávamos nós dois, observando a ponte Nova Jersey – Manhattan, algumas pessoas praticavam Kite Surf no Hudson.

Em alguns dias, pegávamos aquele voo até São Francisco, mera coincidência estarmos naquele avião, eu estava a trabalho, correspondente da Rádio Central de Moscou e você iria visitar alguns parentes por lá. Conseguimos mudar os assentos para que ficássemos juntos. Nosso primeiro beijo foi no ar, lembro ainda de olhar o mapa antes de olhar em teus olhos enquanto segurava sua mão, estávamos entre o Iowa e o Nebraska, você segurava minha mão ainda quando pousamos no SFO, deu tempo de tomar um café e conversar sobre a vida. Eu precisava seguir meu dia de trabalho e combinamos de nos encontrar no Black Horse London às seis.

Fomos até a casa de sua tia, na Sacramento, de frente ao Lafayette Park. Entramos devagar e ficamos no seu quarto. Adormecemos e ao acordar, o sol bateu em seu rosto, seus olhos azuis brilharam como eu nunca na minha vida tinha visto. Nos casamos e enfim fomos morar na fria Moscou, eu deveria ficar por lá, meu trabalho dependia disso, até que eu conseguisse uma transferência para a bela São Francisco.

Nossa vida em Moscou não era das melhores, a máfia perseguia os jornalistas e seus familiares. Infelizmente tivemos que nos separar por motivos maiores e com a fronteira fechada entre a Rússia e os EUA, você deveria atravessar o Mar Negro até a Turquia, para de lá, procurar nosso amigo Benneth, ele tinha passaportes falsos e registros para voar com seu avião de pequeno porte até Rabat, no Marrocos. Por lá, a escala era simples: - Rabat – Miami – São Francisco.

Quando olhei nestes teus olhos pela última vez, eu sabia que era a última vez. Sentir falta não é o nome, mas algo de mim você levou quando tomou aquele avião destinando Ankara.


O inverno chegaria mais cedo aos meus ossos.



quarta-feira, 10 de maio de 2017

A Menina e a Fumacinha

Observava a tal com muito esmero, a fumacinha branca, branda, calma, leve, quieta. Barulhento o motor, que vive dentro da cabeça dela, este fazia vruuuum... Cabeça pensante da menina que observava a fumacinha com esmero. Ela viajava aos mais estranhos mundos, esfumaçados, até o mais profundo oceano. Navegava pelo Tejo, caindo no Mindelo passando pela Morávia, sim, rasgada pelo Moldava. O que moldava mesmo, era a fumacinha, moldando os pensamentos sozinhos da menina que a observava atenta.

Nos mais singelos movimentos, a fumacinha fazia-se presente e sumia, se esvanecia no ar, aparecia, como quem não quer nada, sumia como quem não dizia nada. Quem dizia era a menina, contracenando com aquela que hora surgia e hora ia. Começava um jogo, um jogo só, após um dia pesado, arrastado, quase caricato, no fúnebre quarto, faziam companhia uma a outra, de um lado o peso do dia, do outro a branca e calma que apenas aparecia, enriquecia o ar com sua leveza e ia.

Ao manter-se em pleno e sonoro barulho, aquele, que vinha da cabeça da menina capturava em fotos na própria retina. Um momento de lucidez dentro de uma vida na metrópole, do lado de fora, nem as vozes e os sons ambientes poderiam conter aquele momento, de dentro, sonoro barulho diga-se de passagem, vinha de dentro da cabeça, da menina, após passar pela retina. Após viajar por todos os cantos, por todos os desencantos, a fumacinha mantinha-se em seu posto, de certa forma, a Cracóvia é um lugar aconchegante, mesmo assim, que tal? Munique ou Berlin? Moscou em suas ortodoxas formas e imponentes e respeitosas. Vencendo o atlântico, viajando até a gélida Oymyakon, a fumacinha lembrava a rotina na cidade mais fria do mundo. 

Apenas sabia a menina, que ao fim deste jogo barulhento de adivinhação, a fumacinha se despediria despida, sem pudor ou vergonha. A fumacinha era a menina e a menina, meramente transeunte num mundo cheio de fantasia enquanto atravessando pelas "Railways" do leste, do agreste a Budapeste, em momentos tão desiguais e todos iguais, o sonho findava sob o olhar do sol poente na ilha de Creta. 

O minotauro a esperava, touro com corpo de gente;
Pensar no barulho que fazia sua mente;
Seria de certa forma, indecente;
Já que o motor que "barulhava" o ambiente;
Trazia a fumacinha de forma tão iminente;
Esta sumia, levando um pedaço, descrente.



quarta-feira, 29 de março de 2017

Teu perfume

As montanhas se achegavam, cheias de histórias
De certa forma enquanto eu acessava minhas memórias.
Teus olhos, verdes acastanhados
tão iguais aos meus, castanho esverdeados.

Uma cidade tão linda em seus encantos
Uns dias divididos em seus momentos.
Caía a tarde feito um viaduto...
Um bêbado trajando luto.

Enquanto um beijo acontecia
Em Outono a cidade entardecia
Entre constelações e o sistema solar
Existe muito mais de nós, que nós podemos acreditar.

Naquele instante em que as estrelas eram testemunhas
Uma cadente surgia e sumia no meio das penumbras
Na estrada o tempo corria depressa demais
Lembrando que eu estaria de volta ao cais.

Saudade da manhã preguiçosa, das noites mal dormidas
Dos olhos que me olhavam pela manhã
Da cidade que iniciou nossas vidas,

De ter a mente sã.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Boas novas do Leste - Por Hoederer

Por meio das bases justificáveis venho por meio deste concluir a necessidade do capitalismo dentre os países do mundo atual. Tendendo as bases já aplicadas e as bases aplicáveis dentre um sistema onde todas as formas visam o lucro o capitalismo não fez a menor diferença entre o povo, as tecnologias e todo um processo democrático onde podemos crer que a pesquisa tecnológica existe mesmo onde não há a visão de lucro e sim um progresso que seja confortável aos que utilizam do sistema publico, este sim deve conter apenas o necessário para que haja a máxima dignidade aos que o sustentam, sendo assim, o estado prove tudo o que o povo necessita assim como o povo prove tudo o que o estado necessita, a troca de serviços entre comerciantes e pessoas comuns, turistas e/ou representantes do próprio órgão regulamentador e preservador de todo o contexto natural.

No final das contas, os valores apresentados por um país ex-participante dos blocos socialistas da ex-URSS, apenas convivem com o que sobrou da ideologia na qual compôs o bloco. Não sendo necessária a participação mundial ou dos encabeçadores do atual bloco econômico que o mundo atual globalizado pertence. O capitalismo não apenas arruína os mais pobres para empoderar e enriquecer os países detentores de tecnologias desnecessárias. Levando em conta o crescimento demográfico controlado através da educação, instrução e manutenção destes perante o povo.

Levando como exemplo as cidades do leste europeu onde temos cidades com construções antigas (não falo de prédios históricos tombados, falo de patrimônio bem cuidado), leis, moedas e pessoas em geral onde todos trabalham, pagam impostos, vivem e mantem o sistema Socialista de forma a não buscarem uma melhoria tecnológica básica, quero dizer que não buscam os enlatados e muito menos os bens de consumo sabendo que estes são supérfluos a vida humana. Todos buscam a literatura, o entretenimento básico por meio da cultura que o país produz. A música considerada “Oldie” por exemplo, é ouvida incansavelmente em boates e entretanto ninguém busca a melhoria fora de seu país, sendo assim, o fomento ao artista e a busca pelo lúdico e folclórico é bem maior do que em países ditos capitalistas, pois a mídia não é paga para deformar ou formar opiniões, mas uma TV geralmente serve apenas para propagar notícias viáveis a vida local, no mais, a apresentação cultural e esportiva local é muito mais propagada com o intuito de servir a população do que vender um produto.

Não é a questão simples de que a emissora de TV, rádio e qualquer outro meio de comunicação necessita arrecadar fundos para sobreviver e enfim pagar seus funcionários e claro, obter lucro sobre a notícia, mas, a questão básica é se o conteúdo apresentado é de fato necessário aos que formam a base de audiência. Ou seja, temos um único órgão regulamentador sobre o conteúdo programático dos meios de comunicação, este é a própria população, que tem uma voz ativa muito maior, não necessita-se protestar contra um meio de comunicação quando você pode apenas deixar de assistir.
A arquitetura destes países é mais antiga, porém é sempre muito bem cuidada, é a máxima vivida nos povos que aprenderam a se contentar com o produto interno. 

O consumo de literatura, musica, espetáculos teatrais e entre outras tantas formas de entretenimento, os valores sobre este tipo de espetáculo, são estritamente visando a sobrevivência. Onde o estado impõe um piso salarial, de acordo com o crescimento inflacionário. Ao adquirir qualquer produto nacional, os valores estão ligados a necessidade básica do comerciante como: - pagar funcionários, refazer o estoque, transporte dos produtos, locação do espaço entre outras necessidades como contas básicas e tributos.

Os países que fizeram parte do bloco socialista, estão quem sabe, 500 anos atrasados em relação a muitas coisas. Porém, a população criou bases e sana suas necessidades como se estivessem sempre em um conflito armado, utilizam o básico e consomem muito mais o produto interno que o externo, quebrando assim as correntes que o capitalismo iça em direção ao mundo, causando mútua dependência entre os países pobres e ricos.

Você deve questionar o porque digo mútua dependência, explico que em uma relação Mestre-Escravo, um depende de outro, já que o mestre não detém da mão de obra assim como o escravo necessita dos recursos e facilidades que o mestre oferece. O escravo produz um montante de 5x, o mestre fica com 4x e o escravo sobrevive com 1x para produzir o necessário para que o mestre sobreviva e mantenha suas necessidades. Sem o mestre o escravo definha, e vice-versa. A não ser que o escravo aprenda a manter-se por si só, ou a não ser que o mestre seja justo e divida o montante corretamente. Neste momento, não há mestre e escravo, mas há dois companheiros que crescem juntos onde um oferece o inicio e o outro mantém de forma justa a base para que tudo funcione. Esta é a máxima de um país socialista, o bem servir pela manutenção do estado e não apenas pela obtenção de lucro, pois este, é totalmente supérfluo e subjetivo.


Concluindo apenas, que o mundo hoje luta contra um mínimo movimento onde um bloco que excluem os países da América do Norte, são considerados rebeldes ou de qualquer forma, são mal vistos. Apenas uma visão rasa sobre a Europa fora da zona do Euro, o capitalismo não faz e nunca fez falta. Somos nós os colonizados e somos nós os fomentadores deste sistema que nos aprisiona. Pense nisso, talvez a mudança não seja de dentro pra fora, mas considere aprender outro idioma e ir embora daqui, estamos presos ao sistema capitalista, corrupto e tendendo ao naufrágio.



domingo, 22 de janeiro de 2017

Seres errantes, par amour!



Ela apareceu.

Linda! Seus olhos azuis.

Por dentro! Quanto conteúdo.

Conversaram por alguns dias.

Rolou um beijo.

Eles conversaram muito mais.

Era de manhã quando ele a deixou em casa.

Ele gostou muito dela.

Ela tinha outro alguém.

Saíram outras vezes (mas que fique claro, nada aconteceu).

Até que essas histórias mal contadas os distanciaram e eles nunca mais se viram.

Em tempos modernos, a vida segue.


Afeição significa desespero.

Os desesperados que se lixem e o afeto que se foda.



De amores imperfeitos vive um poeta que se inspira a criação 
Enquanto do ser se faz 
o dramático em seu declínio, em paz
no apogeu e queda de uma paixão...




terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Dona eis requiem - 1.0

O vento frio passava pelas frestas da porta de madeira. Tinha um aspecto de casa arrumada, rústica, de amarração estreita. Era aconchegante de qualquer forma. Nevava lá fora, os vidros das janelas por dentro aquecidos pelo fogo da lareira, hora estavam embaçados e hora derretiam a neve que caia sobre o meio fio da armação quadrada.

Um homem entra em cena, vestindo poucas roupas para o frio que fazia lá fora, não parecia se importar com a temperatura e trazia junto de si em seus braços uma corsa abatida pela nevasca, quase já sem vida. Deitando o animal frente a lareira, esticava as pernas na poltrona enquanto se alimentava e aguardava pela recuperação do seu novo amigo.

Num lapso, o animal convulsionava para seu fim até que o homem levantando-se esticando suas mãos por cima do ser sem vida enquanto recitava alguns versos criados por uma voz oculta, ela parecia recitá-los em seu ouvido enquanto ele apenas repetia.

Sentia-se um calor fora do normal durante o processo, uma energia percorria aquela sala e se revestia em cores púrpura e azul ciano, raios e luzes circulavam por entre os corpos em questão. A corsa levantou-se, assustada, revelando por trás do fogo um ser noturno, este olhou fundo nos olhos do homem, parecendo rogar-lhe algo. Enquanto recitava em sua prece:


“Este que dá a vida, é o mesmo que concede o fim. Caindo em descrença por seus mais íntimos pesadelos, este que vos ensinará o poder da cura é o mesmo que encarregará de sua morte. Pois eu sou o ceifeiro e te apresento o mundo nu e crú. Te apresento o mundo além dos muros, além da natureza, ou faz o que te mandam ou será prisioneiro para sempre deste que chama de Deus e de tudo o que te faz pensar que a ascensão do espirito está acima de teus atos.”



terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Pêndulo

Clara observava seu reflexo no espelho d’água.

De certa forma também observava todo o seu redor através das calmas águas, Clara inventou seu mundo dentro daquele lago e num piscar de olhos pôs-se a crer que o mundo fosse exatamente como o lado de dentro.

Acessando as águas claras, Clara transformava seu mundo novamente, mas até então, tocou o fundo do lago, ainda sem soltar o ar tão rapidamente percebeu que aquilo a pertencia. O mundo afora das águas claras de Clara não seria mais o mesmo mundo aconchegante, Clara sentiu frio, Clara tentou gritar e de sua voz, saíram bolhas, Clara claramente estava feliz com os peixes-lua, algas coloridas, sereias para lá e para cá e os peixes que Clara conhecia...

Clara nomeou cada ser ali dentro, deitada no fundo, as algas faziam cocegas em seu corpo enquanto ela apontava e ria dos peixes com caras estranhas.

Clara deitou-se no fundo enlameado do lago claro.  Ali se apoderou do mundo que a apetecia. Ela pensou em seus livros, seus amigos, seus namorados, claro que Clara era uma menina namoradeira. Tanto se diziam isso na vilinha perdida no meio das montanhas, que Clara era namoradeira.
Ao mesmo tempo, Clara estava só, se sentiu só ali no fundo do lago. Resolveu sair, mas era tarde demais, Clara deixou seu corpo ali, no fundo, com os peixes, deixou seu melhor vestido, enquanto fechava os olhos e pensava no número de escamas que um peixe daquele poderia ter, e, quantas tantas outras escamas poderia ter uma sereia.

Clara, estava maravilhada com a cena final errônea deste texto, é claro. No final das contas ela estava no aconchego do seu lar, enquanto seu corpo agora apenas flutuava pelas calmas águas. Clara se desprendeu de tudo, encontrou com outras pessoas que lamentavam o ocorrido, mas estavam no mesmo momento. Clara fez novos amigos. Clara conheceu novos meios de se viver... e de namorar.
Clarinha conheceu o seu outro lado da vida, do espelho d’água, ela não apenas conheceu como mergulhou de cabeça no outro lado, de fato.

Pode parecer triste o fato deste. Mas olhar mais de perto, crer que as vezes o melhor é encostar a cabeça no fundo das calmas e claras águas.

Ela descobriu um novo mundo, apenas ao fechar os olhos para o mundo que a cercava.



domingo, 4 de dezembro de 2016

Manutenção

Enquanto as metrópoles cresciam um universo surgia entre as escadas e elevadores dos arranha-céus. Ao observar a beleza do palácio do Kremlin, chegaríamos a cúpula da catedral de São Vito no Prazsky hrad, isso em Praga a cidade cortada pelo Moldava, sob os domínios ainda da Capela de São Venceslau. A beleza da tecnologia nas torres Petronas nunca mais seriam porém um empecilho para uma sociedade que mataria seus ídolos e entrepostos do momento em que a catástrofe nos trás os funerais.

Um mundo de luto e a natureza não sessa, sem piedade, abismos simplesmente brotavam. O homem não haveria de ter, apenas, entretanto, piedade de seus próximos. Em vista a larga escala que se constrói tantas outras estações de metrô, ou mesmo passo em que o mundo se afunda. Sempre haverá aquele que dirá, profanando e doutrinando uma nova religião, seita, credo ou simples fatores mundanos, que delicia.

A mente humana se molda, se cria e sempre encontra uma outra forma, ela se reinventa a cada dia, desde o nascimento até a morte. E a morte, a morte sempre encarada como algo complicado. Eis um funeral, eis uma vida cruel, eis um momento de frieza quando você se dá conta que ao saltar do Burj Dubai, dá-se tempo de pensar qual o propósito da vida, que aliás, sabemos que tudo o que se construiu, sempre haverá de se ficar para as próximas gerações. Edifícios caem, em uma fábrica de poder.

Produzimos bugigangas faraônicas para que a simplicidade de nossos filhos destruam conceitos básicos de sobrevivência. Além do mais, pensando bem, qual é o sentido da vida?
É impossível. É linear. É catastrófico. É bonito. É ressurgido. É rebuscado. É chato. É imposto. É forçado. É real. É irreal. É momentâneo. É formado. É desejado. É longo. É vago. É obtuso. É entregue.

“Em todo caso estarei pronto pra um funeral
Em toda ocasião mais uma vez chamada de funeral”



Não feche a porta. Tudo é uma questão de perspectiva. 

Perpetue.


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Notas de um epitáfio

Cara,

Dia desses me disseram que perdoar faz bem para a alma, ela se descarrega de forma a não ter mais o peso do rancor que a corrói, ela não mais se dilacera com uma simples lembrança. O perdão por si só, já é algo bonito quando falado em público mas não venho ao público por simples status ou imagem, espero de coração que leia esse texto e carregue isso para a vida.

Lembro de ter tratado você como um pai trata um filho, rimos juntos, paguei a sua conta, dei o que eu tinha de mais precioso e de mais bonito em mim, a minha caridade. Não sinta-se menos por isso, ser alvo de caridade não te põe para baixo ou me enobrece, apenas nos coloca em um patamar onde eu tive empatia por sua pessoa e por seus anseios. Eu perdi a calma quando te vi em situações adversas e fiz o possível para alegrar o seu dia, neste tempo em que compartilhei da sua amizade de um jeito mais puro, eu fiz o papel que talvez nem o seu pai fizesse. Te levei nos lugares e permiti que acompanhasse nos lugares que frequentava, eu olhei nos seus olhos e te aconselhei quando precisou, você fumou todos os meus cigarros quando precisou, você dormiu em minha casa e mantive todas as minhas fichas em você quando ao cruzar aquela porta percebi que algo errado acontecia e pode crer, eu estava certo.

Você não só pisou na merda como passou o pé em meu rosto enquanto em dormia. Você foi traiçoeiro e não soube domar seus instintos, no pior momento da minha vida, vi tua face e tive vontade de te matar, tive vontade de te jogar na frente de um carro, tive por um momento um simples prazer pela sua morte.

Não sei se o perdão vale alguma coisa tanto para você quanto pra mim, eu sei que fizemos pessoas chorarem, eu sei que negamos uma parceria que talvez tenha existido só para mim. Ao se deparar com os estilhaços que tudo aquilo causou eu sei que no fim não valeria a pena brigar, não tinha importância a sua ação, mas me importava o quão bom eu considerei as minhas ações e talvez para você nada daquilo tivesse mero sentido ou necessidade de ser feito.

Eu sei, eu tirei a comida da minha boca para te dar e você simplesmente preferiu cuspir para longe, talvez foi o melhor que você podia fazer com a confusão dentro da sua cabeça.

Não espero que venha conversar comigo, nunca mais, hoje considero este assunto enterrado, logo eu que demoro a processar as coisas. Mas hoje meu peito estourou com uma felicidade tamanha, que nenhum rancor mais caberia nele. Você morreu, eu morri, nós fomos amigos e hoje não mais, não espero que reconquiste isso, pois eu não procurarei reconquistar.

Mas, como um pai, hoje te perdoei, hoje eu disse adeus a esse calo no meu sapato, hoje você sumiu do meu pensamento, hoje eu tenho certeza que você não existe mais.

Hoje eu disse:
- vai filho, voa.

"Que a música que ouço ao longe. Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada. Mesmo que distante
Pois metade de mim é partida. A outra metade é saudade."



domingo, 14 de agosto de 2016

A relação de Picasso nos tempos de hoje

Os quadros e espelhos tinham nome, algo que não se parecia com alguém ou não lembravam nada. O mundo estranho era como se uma vida inteira tivesse se estragado e não falo apenas de vidas e sentimentos, descrevo o orgânico. O mundo estava preto, como num Guernica. Sofrimento, animais meio gente e tudo meio a meio. Algo acontecia no mundo nas vistas de um cidadão que apenas sentado em seu leito após o despertar, entenderia que abrir os olhos e manter-se vivo não seria o suficiente.

As plantas negras, secas, remetiam ao carbono. Não foram queimadas ou atingidas por grandes temperaturas. A erosão deu-nos a resultante, no fundo, o ar, a água e a terra são degradantes elementais. 

Algo na matriz se moveu, senti como se uma rajada de vento tocasse meu rosto neste dia em que olhei para o mundo de uma forma mais descritiva. Os quadros pendurados, milenares, seculares, eu me senti num barco a velas, à deriva. 

Os espelhos agora descobertos mostravam que o mundo invertido não nos mostra muito mais do que o tempo em modo rewind. Não pensavam em outras formas de vida ou até mesmo um jeito de quebrar o formato padrão de vida. Em termos mais tenebrosos, findar a necessidade e manutenção da escravidão humana.

Um nome, um véu, negro, ainda, porém, ascendia na janela do sexto andar, sozinho em meio ao ar atmosférico. A causa mortis não revelada criava todo o processo de regressão onde as lembranças se tornavam perturbadoras. Seres de pernas longas e corpos esguios, cabeças grandes e dedos compridos. Ambos jogavam Xadrez numa tarde de inverno no parque da cidade, algo que lembrava hora o Central Park, hora a Red Square... Num jogo totalmente amigável até que a torre foi tomada, trazendo certo ar de angústia de um lado e vingança de outro. Neste momento, via-se o Kremlin ao fundo. 

Uma rainha deposta após o sacrifício da torre, tornou o reinado bem mais complicado, agora em vermelho, puro sangue contrastava a neve que caía em Moscou.


O rei manteve-se em seu lugar até que a força o remeteu para baixo.


terça-feira, 19 de julho de 2016

O Retorno de Saturno e Kafka

Este texto nada tem a ver com a música composta pelo Luiz Guilherme Araújo, o então vocalista da banda Detonautas denominado então Tico Santa Cruz. Este texto tem a ver com você que vive no meio fio entre a faísca e a explosão. Com vocês: O Retorno de Saturno e Kafka.

Façamos um exercício de reflexão:

Pense em linhas, espirais, formas geométricas. 
Pense em uma parede.
Pense em uma caixa.
Pense em cores.
Pense em uma bailarina.
Pense em um sentimento.

Pegue todas as formas pensadas e coloque na caixa, chacoalhe a caixa com o sentimento que pensou, coloque-o em sua cabeça enquanto movimenta a caixa e abra enquanto chacoalha. Pense no respeito zero pela gravidade, inclua neste exercício o vácuo. Pense na lei de Murphy, some as possibilidades cabíveis e agora pense na cor das formas saltando da caixa e voando pelo cômodo no qual você situa. Pense agora nas cores que saíram da caixa e sobre todas as cores que compõem o todo. Quais as formas que se chocaram na parede? Quais as cores que predominaram neste exercício? Qual a cor da caixa? Qual o seu sentimento? Como foi o movimento utilizado ao movimentar a caixa? Algo foi quebrado? Algo ficou errado neste exercício? Pode utilizar o link de compartilhamento criado no Facebook sobre este texto, pode utilizar os comentários, quero suas respostas mais sinceras. Vou aguardar.

No mais, pensei ontem sobre algumas coisas e descobri que na minha caixa estavam mais que formas, linhas e espirais, resolvi dar fim, coisas velhas e mal acabadas, tive a certeza que havia algo por trás de toda essa conspiração. 

É a TV, é o rádio, é a mídia. Não há mais tempo ou ideias, não nem mesmo abrigo para se esconder. Somos mais uma vez vítimas de nosso próprio destino e hoje me vejo em um barco a velas, navegando ao sabor do vento, é possível que eu atinja longas distâncias assim como é possível que eu reconheça que morrerei à deriva. Eu sei que no fim a morte é inevitável e que eu jamais serei apenas um alvo fácil, não é do meu feitio me manter inerte e nesta vida me comprometi com o improvável. Meus votos são e sempre serão de revolução e ela começa em mim. O mundo que eu quero, é um mundo livre, em paz e sem o vitimismo característico. Sejamos menos bundões, nós somos o povo, os trabalhadores, os homens de boa fé. Nós detemos do poder! Creio que a hora chega para todos e que as vezes não vale a pena dar a cara a tapa por pessoas que não se movem, mas, o mundo precisa de mártires para seguir com sua história de pessoas que fizeram algo para mudar.

Não é de hoje que o mundo permanece o mesmo, é desde sempre que a vida segue e o curso natural é o descaso.
Você tem filhos?
Você se divorciou?
Você já se culpou por isso? Por se divorciar, claro. Sim?
Você caga de porta aberta?
Você mija na tabua?
Você cozinha para 5? 6? 10? Só para você?
Você chuta gatos na rua? Você cuida deles e xinga quem maltrata?
Você vive só? Tem família?
Você é religioso?
Você pensa?
Você traduz?
Você corrige?
Você aguenta o tranco?

"Você não é do Castelo, você não é da aldeia, você não é nada. Infelizmente, porém, você é alguma coisa, um estranho."

No mundo existem duas pessoas, as que se preocupam com os interesses alheios, estas são por vezes fofoqueiras. E, todavia, existem as pessoas que se preocupam com seus próprios interesses, estas são as egoístas. Se se sentiu mal pelos termos usados, precisamos pensar quais as suas prioridades e o quão você liga para estas palavras. Continue pensando, talvez no fim disso tudo, valha mais a pena pensar em si mesmo, pode ser até que você seja alguém, pode até mesmo ser que eu não seja nada e talvez, porém, sejamos tudo e o todo. Levando em conta que o Sol é o que nos aquece e ele não chega a ser nada comparado a imensidão do universo. Sabemos que somos o universo de alguém ou "alguéns", sabemos que estamos no universo e que este universo dito infinito, pode ter fim e ser exatamente outro sistema em algum outro lugar considerado relativamente pequeno. Lembra-se de Murphy? Cálculos quânticos apenas nos mostram e demonstram o quão infinito pode ser algo e nós apenas somos pequenos demais para conhecer e limitar a relações e religiões.

No fim, somos nada e toda a reflexão serviu apenas para nos divertir durante este curto espaço de tempo em que eu escrevi e você leu. 

Muito obrigado e que a paz esteja com você. 
Blessed be.


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Ah, look at all the lonely people

Franz ainda adorava surpresas, queria voltar de sua empreitada muito antes, ele era um soldado real, de cavalo branco. Franz a esperava no lado Leste da montanha, Franz queria voltar antes, Franz não sabia mais o que fazer sem Rigby nos montes gelados e inóspitos do sul. A melhor ideia que ele teve, de longe, tatuou a silhueta de um pinguim em seu abdome definido, no bicho estava escrito “Rigby”. 

De dentro desta tatuagem saia um arco-iris que buscava por Rigby a cada 20 minutos do dia. Sem saber, a moça atravessou a montanha pelo lado Oeste, (SIM essa história de amor tão bela estaria se desencontrando justamente na hora do encontro), Franz deixou tudo pronto em sua casinha no pé no morro, inclusive tinha alguns panos de prato para que Rigby cozinhasse todos os dias e mantivesse a louça limpa, assim como vassouras feitas de folhas de bananeira, para que ela varresse tudo e arrumasse as camas, lá tinha rede de celular, mas pegava mal.

Por um acaso do destino, Franz enquanto recolhia lenha para o forno que Rigby acenderia todas as frias manhãs enquanto Franz simplesmente despertava embaixo das cobertas, viu um ponto preto de distanciando rumo ao nada, quando correu o máximo que podia, deixando tudo no chão. Rigby estava acompanhada.


Sobrou até para o pinguim, este foi arrancado junto com todo o orgulho que cobria Franz, na mais bonita forma de amor, ele fez a comida, limpou os pratos, limpou o chão e fez as camas que os 3 dormiram. Num aceno, ele estava de avental, pantufas bem fechadinhas, ela seguia sozinha acompanhada, não entendemos muito bem qual o fim disso, mas só havia um problema nisso tudo, ela ainda não tinha visto os pés do moço (El Hermano que diga).


quarta-feira, 15 de junho de 2016

All the lonely people, where do they all belong?

Numa dessas reações inesperadas ela cantarolava uma canção (com o perdão da palavra) meio bostinha, dessas que a gente só canta quando está apaixonada e isso era um problema para Rigby, a sorte é que ele estava longe, bem longe, pelo menos em tempo ela estaria a salvo. Os mais renomados pesquisadores que se aventuraram em desbravar a mata fechada que guarda seu tesouro, não voltaram sãos ou normais, uns, inclusive hoje amargam o sabor da liberdade de um quarto escuro com portas e janelas trancadas por fora. Muitos agiram com bravura ao saltar por lâminas, resolver puzzles mortais e lutar contra um monstro de 8 braços armados com 4 escudos e 4 espadas.

Após lutar com tudo aquilo e saber que a caixa do tesouro estava a sua frente, uns comemoraram, outros surtaram, outros até sentaram-se sobre o baú para tomar um ar, uma água, champagne, vinho, fumaram cigarros enquanto idealizavam entre todos os prêmios que um homem poderia ganhar de uma mulher e por fim a senhora Rigby surgia em meio ao cenário afastando o cara (que com cara de pamonha observava a cena e a facilidade com que ela entrava e vasculhava o self) mais para o lado enquanto surgiam as luzes, black-out, luzes, black-out, luzes, FOGO! Entravam as garotas, a bateria dava o tom, “tu dum tss”, outro comercial de cerveja apresentava o quadro, “SONHO, REALIDADE ou CONSOLAÇÃO”. 

Surgia o apresentador: 
- Um sujeito esguio, com vestes brancas, cabelo meio black power, grisalho, gravata borboleta, lenço no pescoço e óculos aviador com lentes pendendo para o pink. 

Mais 3 baús apareciam no palco e o cara teria que escolher um para levar seu prêmio embora, ele escolheu sem delongas já que estava com pressa de voltar. Ela abria o baú (com aquele sorriso de dançarina do Faustão) e mostrava que não havia nada no interior mas, por sorte (que sorte) do concorrente, o apresentador enquanto atendia seu telefone e falava um "castellano" meio lá meio cá, traduzia para a platéia indócil e fervorosa : 
- O que, ele tem mais uma chance!? Certo! Mais uma chance para o nosso Iron Man!

Enquanto Rigby fazia as unhas, sentada junto da platéia, ele escolheu mais um baú e naquele, também não tinha nada e mais uma vez o luminoso “RISOS”, “GARGALHADAS”, “HU3”, acendia até que a platéia defecasse e urinasse no palco de tanto rir. De repente virou uma guerra no talk show mais famoso da TV Rigbyana. O cenário foi tomado pela produção que insistia em transmitir o acasalamento dos pinguins pois achavam que era mais educativo do que estes realities que já estavam na Décima Sétima edição (convenhamos que o jogo dos baús era bem bolado).

Após o episódio, ele poderia ainda escolher o prêmio de consolação que isso incluía um copo da cerveja do patrocinador, ou, uma pizza, ou papel higiênico. Ele estava simplesmente estático no meio do palco e muitos teriam pena, ele parecia estar em um lugar gelado, na companhia de 2 metros de neve, caído de cara enquanto um pinguim surgia correndo pelas estradas: "Asinhas abertas e bico para a frente como se fosse voar".



terça-feira, 14 de junho de 2016

All the lonely people, where do they all come from?

Rigby e Franz era o típico casal virtual, já haviam se visto mas nunca se tocado de forma a conduzir um relacionamento. Rigby era dura na queda e Franz todo coração. Eles existiam, ela já era mãe e ele queria mais, algo impensado na vida da moça que virava monstro durante o período, não era culpa dela, diziam os mais sábios e ex-combatentes, ou vulgo, ex-namorados, ex-maridos, ex-médicos (uns morreram, outros vivem por aí, na boemia ou trancados em um quarto escuro após enlouquecer). Ela tinha uma bravura sem igual e sonhava com tudo o que fosse possível sonhar e o que não fosse possível ela inventava. Assim vivia Rigby, não tão sonhadora com um casamento quanto na música dos beatles e também não tão misteriosa quanto o padre Mackenzie e seus sermões.

Apenas entendemos que no fim disso tudo, alguém estará limpando as mãos e outro no túmulo. Ela sonhava com o típico cara que a levaria dali para um local mais agradável, menos frio, menos extremo... Ele pensava em atividades junto ao dito “meidomato”, ela amou a ideia a principio, mas achou (com o perdão da palavra) meio bosta, por compartilhar de um lugar tão belo mas, sem internet, sem banheiro comum (para os padrões ocidentais), sem eletricidade ou qualquer coisa que remeta a cidade e suas facilidades, a ideia era produzir com as próprias mãos, inclusive o papel de limpar a bunda (ou então lavar na pia do banheiro (que banheiro)). Ela não estava muito feliz com a ideia e disse isso a Franz que se rebaixou a ela, por amor, desejo, ou qualquer coisa que pareça.


Sim, mais um a se ajoelhar diante da grande, educada, bela e teimosa Rigby. Era assim que acontecia durante os shows (ops, relacionamentos), começava fofo, geralmente com anéis e flores que a linda Rigby jogava fora ou debochava (na cara do sujeito, além de tudo, Rigby é uma moça polida), não era por mal, juro, mas as histórias contadas a partir da ótica e senso de humor da pequena Rigby era de se contorcer no chão de tanto rir. E no mais longínquo ponto de equilíbrio entre a razão e o coração, Franz fazia os mais absurdos acordos e propôs inclusive sua alma em troca do amor de Rigby, neste momento o luminoso “RISOS” acendia e a platéia da cabeça dos ex-combatentes ia ao delírio. Após 10 segundos de riso e felicidade, tocava uma musica alegre e as garotas vestindo trajes menores entravam em cena apresentando a nova marca de Cerveja e os patrocinadores.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Ah Se Não Fosse o Amor - Lirinha

A minha ilha não existe mais
Será que o mar já percebeu
Ela desapareceu
Há se não fosse o amor
Pra recolher o óleo que vazou

Mas ninguém viu a marca no meu corpo
Como é que pode alguém entrar
E dentro se desmanchar?
Nunca esqueça as oferendas
Quando contar na rua as nossas lendas

Mudei pra laje de um prédio vermelho
No alto é sempre bem melhor
Pra quem vive só
Ah se não fosse o amor
E a força incrível do seu reator

Dentro do mar o velho marinheiro
Na sua orelha um brinco de anzol
Brilha seu brinco no alvo do sol
Brilha seu brinco no alvo do sol

Chamei você
Mas você não veio
Eu entendi que era normal
Nada pessoal
Ah se não fosse o amor


terça-feira, 7 de junho de 2016

Viagem astral

Entre os canhões e trincheiras caminhei entre os escombros com você em meus braços, seus olhos estavam cheios de esperança. Certas horas em que eu precisei de todo o meu vigor físico ou quando utilizei minhas mãos para empunhar um rifle encontrado junto aos corpos no chão, você foi de cavalinho, numa dessas mochilas grandes e confortáveis por dentro, sempre sendo meus olhos e chamando-me de papai, a hora que você teve medo, foi exatamente quando eu me virei para protegê-la dos tiros que viriam.

Em meio aos pallets, pedras, corpos, templos, glórias e devaneios a noite caiu, nos escondemos em um lugar puco claro, troquei sua roupa, lavei seu rosto e te vesti com algumas vestes que haviam por ali, engraçado como você não deu um pio, conversou comigo como conversamos no aconchego do lar, beijou meu rosto com o mesmo carinho de sempre, te abracei e segurei as lágrimas, elas vieram enquanto eu te via dormir. Adormeci também, após te cobrir.

Acordamos com uma bomba, ao longe, era noite ainda, você estava exausta mas eu sabia que precisávamos seguir viagem, sair dali com vida. Com todo cuidado te embalei em meus braços, ainda enrolada na cobertinha que carregamos no ponto de partida, tínhamos algumas frutas que guardei, seria a nossa sobrevivência, deixei até de comer para que nada te faltasse, estávamos no terceiro dia de busca por um local seguro.

Sei que parecia incorreto da minha parte, mas seria necessário atravessar o front e ir em direção ao mar, lá entraríamos o primeiro barco para o abrigo, nos refugiaríamos até que aquilo acabasse, rifle carregado, pendurado em meu ombro e você descansava. 

Enquanto acordava, fazia frio naquela madrugada, inicio de manhã. Vi os aviões rasgando o céu e sumindo no horizonte. Subimos num ponto alto, eu precisava observar além das ruínas. Pedir ajuda naquele momento não era opção, não sabíamos quem estava do nosso lado, ali, naquele momento, você tinha a mim, eu era o seu abrigo, comigo você estava em segurança.

Amanhecia com o Sol entre as nuvens, a luz clara e encoberta anunciava que a chuva chegaria cedo ou tarde, interrompendo, por hora, a nossa caminhada. Olhar pela janela da casa parcialmente destruída pelas bombas nos dava pouco mais de 3 metros de segurança. Ouvi passos e nos escondi você olhava para mim, apreensiva, segurou o choro, vi nos teus olhos o pavor estampado pela primeira vez. Pressentiu algo que eu não soube identificar, mas não tive dúvidas em te aconchegar entre as pedras da parede destruída e apontar para a única entrada possível. Eu estava olhando para você e ao mesmo tempo conseguia perceber qualquer movimentação, estávamos na penumbra a qual favorecia a nossa posição. Os passos pareciam ter pressa, falavam outro idioma, imperativos, o som foi ficando mais alto, até que diminuiu gradativamente. Passaram, estavam mais longe. 

Era o momento de sair dali, estávamos no meio do fogo cruzado. Olhei me esquivando, enquanto você ainda sentada nos tijolos quebrados comia meia banana que estava na mochila. Preferi desta vez te guardar, a mochila era grande, confortável, te acolhia como os meus braços. Você sabia que o momento era complicado, você disse inclusive que queria ir pra mochila, acho que parecia uma diversão e sua cabecinha de 3 anos queria brincar.

Corri o mais rápido que pude quando em campo aberto tivemos uma surpresa, rajadas de metralhadora, eu simplesmente pude correr, meio sem rumo, meio sem porque. Poderia ter me jogado no chão, mas por 1 milésimo de segundo achei que pudesse feri-la, pensei que poderiam nos encontrar, que algo ruim aconteceria. Por sorte nenhum tiro nos acertou e atravessei. Ao chegar no outro lado, atrás de uma árvore, abri a mochila e você estava ali, sorrindo, parecia ter gostado da brincadeira, da chacoalhada que rolou ali dentro. 

Enquanto tirava você dali, você pedia, “papai, quero água”, abri o cantil e deixei você tomar o quanto quisesse, se esbaldar. Logo após, descansávamos sob aquele céu sórdido e inimaginável, eu pensava em como tirar a gente dali, você comendo os pedacinhos de maçã que eu cortava aos poucos. Eu sabia que os suprimentos estavam acabando e que ficaríamos sem comida no dia seguinte, era necessário levantar e partir, enrolei mais uma vez você nos panos que tinha e desta vez fui te abraçando enquanto apertava minhas bochechas. Te coloquei no meu ombro deitada; e durante a caminhada, adormeceu.

Estávamos a pouco tempo de chegar ao destino e a nossa missão ao fim. Você acordava enquanto eramos socorridos pelas tropas aliadas em missão de paz.

Te dei banho, comida, e enquanto guardava teu sono sentado numa cadeira, fumando um cigarro olhando o mar, algo me chamou atenção. Arrumando as tralhas na mochila, meus olhos se enchiam.

Um furo de bala.

Você e eu, intactos.

Dedico a mocinha que amo tanto nessa e em outras vidas.
Papai te ama, nenê!